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novo sentido da catequese

A paróquia Ascensão do Senhor apresenta aos adultos, jovens e crianças a descobrirem o novo sentido da catequese

Catequese em latim significa instruir, ensinar a viva voz. É quando uma pessoa autorizada pela Igreja ensina os princípios da religião cristã. Depois de um ano e meio, aproximadamente, quem está recebendo os ensinamentos vai estar apto a participar da primeira comunhão com Cristo, simbolizada através da hóstia. Durante muitos anos era essa a essência da catequese, mas a Igreja sabia que o significado era muito maior e começou a discutir como tornar esse momento tão importante em algo que fosse para vida toda de forma prática.

Aqui no Brasil essa discussão ganhou força em 2005 durante um encontro da CNBB. A partir daí a catequese passou a se chamar IVC, Itinerário da Vida Cristã. Como o nome já diz, é o caminho que o discípulo de Deus pode trilhar e que apenas começa no sacramento da comunhão. A paróquia Ascensão do Senhor, assim como algumas igrejas de Salvador, já está vivendo essa mudança. A paróquia tem hoje turmas de crianças, adolescentes e adultos aos sábados e domingos e turmas às quarta-feiras dentro do colégio Villa - Campus de Educação, na Paralela.

As aulas são compostas por quatro fases:

Pré-catecumenato ou Querigma - Os catequizandos aprendem quem é Jesus, como ele viveu.

Catecumenato – A palavra de Deus, a pessoa humana, as ações de Jesus, o sentido da missa, a vida em comunidade e os sacramentos.

Tempo da Purificação e Iluminação – Reflexão sobre a nossa caminhada, como podemos melhorar como discípulo de Cristo.

Tempo da Mistagogia – Mergulhar no mistério de Jesus que vive conosco e como ter força para sermos suas testemunhas na Terra.

Para padre Manoel Oliveira Filho, pároco da igreja Ascensão do Senhor,o objetivo principal dessa nova catequese é acabar com a ideia de que a formação do cristão termina em determinado momento. “A Eucaristia é o início de um processo, um compromisso para vida toda e tem que ser praticada”. Para isso a igreja está sempre envolvida em projetos que ajudam no despertar dessa consciência. E não é nada fácil, segundo padre Manoel. “Mais do que mudar o método, é preciso mudar a mentalidade de uma comunidade que cresceu acreditando no momento da comunhão como um ponto final”, afirma.

Marcelino Lima é o coordenador geral do IVC na igreja desde o ano passado. Ele foi crismado já adulto, com 25 anos, e foi nessa época que ele se sentiu realmente tocado pela Igreja e decidiu virar catequista a convite da sua madrinha de crisma. Para Marcelino toda essa mudança na formação do cristão gera uma transformação de vida, uma mudança na forma de ver o mundo, como ser uma pessoa melhor, como agir de acordo com o amor de Deus. “O mais gratificante é você ouvir o depoimento dos alunos dizendo que querem criar amizade com Deus. Sentir que eles querem trazer Deus para perto. A doutrina continua sendo passada, mas o foco agora é exercer um projeto de vida baseado no que Jesus nos ensinou”, diz Marcelino.

Maria Angélica Ferreira, catequista de uma das turmas das crianças há apenas três meses, conta que as aulas precisam ser lúdicas. Todo sábado as crianças discutem um tema, mas sempre com leveza, com brincadeiras e elas adoram. “Gosto muito. O mais legal é conversar sobre as histórias de Jesus”, afirma Vítor Marques, de 10 anos. Já Alice Melo, de 8 anos, diz que o mais bacana é rever os amigos toda semana. E é por essa satisfação que Maria Angélica deixa o filho de apenas um ano em casa e vai para igreja no sábado à tarde para contribuir para a formação desses pequenos. “É o sentimento de querer ajudar o próximo, abrir mão do meu tempo para colocar uma sementinha na cabeça das crianças”, conta a catequista.

E foi uma sementinha assim que despertou o jovem Adriano Oitaven, de apenas 19 anos, para essa vida em comunhão com Jesus. Ele participou do Movimento Escalada em 2016 e se apaixonou pelo ideal de solidariedade que o grupo tanto preza. Em pouco mais de um ano e meio ele foi batizado, fez a primeira comunhão e a crisma. Hoje ele é um dos catequistas da turma de adolescentes da paróquia Ascensão do Senhor. Adriano faz direito na Uneb, um domingo por mês se dedica ao catecismo e todos os sábados participa das reuniões do Escalada para discutir e desenvolver os vários projetos do Movimento. Ele conta que sempre acreditou em Deus, mas nunca praticou. “O incrível do IVC é que a gente continua aprendendo. Eu sou mais paciente, aceito mais as pessoas, vivo melhor, vejo Deus no outro”, afirma.

Adriano é o exemplo vivo dessa mudança que a Igreja tanto busca atualmente ecomo disse o coordenador Marcelino: “A fé tem que estar além da Igreja. Ser cristão sempre. É assim que podemos fazer um mundo diferente, um mundo melhor”, finaliza.