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Diário de bordo da JMJ no Panamá


Quando o Papa Francisco fez o convite para os jovens estarem presentes na Jornada Mundial da Juventude, ele afirmou que o caminho rumo à JMJ do Panamá devia ser de preparação, para que os jovens assumissem suas responsabilidades na Igreja. E até chegar lá, Adriana Landeiro (Drik) e Nathália Barreto (Nath) viveram muitos dias de preparação, enfrentaram dificuldades, mas apesar do caminho árduo, superaram as dificuldades e viveram 17 dias em uma longa jornada de fé e emoção.

Nenhuma matéria daria conta de passar aos leitores tamanha experiência vivida pelas duas jovens que são alpinistas do Movimento Escalada. A seguir, leiam diário de bordo de Drik e permita-se emocionar e viajar até o Panamá.

Na madrugada do dia 13/01 eu e Nath embarcamos para São Paulo, de onde sairia nosso voo para o Panamá, que seria só no dia seguinte (14/01). Tivemos a felicidade de ser acolhidas por Vera, uma amiga de minha tia que mora na cidade paulista, que apesar de não nos conhecer, abriu suas portas e nos deu um lugar para repousar, tendo em vista a longa viagem que enfrentaríamos em seguida. Ainda de noite fomos para o aeroporto, já que nosso voo saia bem cedo, não queríamos correr nenhum risco de nos atrasar (o transito de são Paulo não é lá muito confiável), e já no aeroporto conhecemos alguns dos jovens que nos acompanhariam nessa jornada.

Assim que chegamos no Panamá, pegamos um ônibus que nos levaria a São José, onde ocorreria a Pré-Jornada. Foram 17 horas de viagem, mas que apesar de demorada e cansativa, foi um bom momento para nos aproximar e conhecer mais um pouco da galera.

Chegando em São José fomos direcionados para a paróquia Nossa Senhora dos Desamparados, que sem dúvidas, nos amparou da melhor forma possível. Depois nos mandaram para casas de famílias que nos acolheriam durante aquela semana. Além de mim, tive mais 4 “Hermanos”, uma menina de salvador, dois de fortaleza e um italiano. Não tenho nem o que dizer da família, muito atenciosos, cuidadosos, e como eles mesmos diziam uma típica família Costarriquense. Me senti em casa.

Durante a pré-Jornada somos chamados a conhecer e viver um pouco da cultura local, além de ser um momento de preparação para a jornada em si. Tivemos atividades por toda semana, entre missas, adorações, shows, apresentações culturais, passeata, rosário, passeios, fomos vivenciando e experimentando um pouco do que aquele povo tem a oferecer. Tivemos a oportunidade de conhecer também o Santuário de Nossa Senhora de los Angeles, padroeira da Costa Rica, que na minha humilde opinião foi uma das igrejas mais lindas que já vi.

Apesar de já ter ido pra Jornada do Rio (2013), essa foi a primeira vez que participei da Pré- Jornada. E sem dúvidas, pra mim, foi um dos momentos mais especiais. Essa troca de cultura e a experiência da acolhida são muita engrandecedoras, fortalece a cultura do encontro, como diria Papa Francisco.

E assim, na noite do dia 20, embarcamos mais uma vez nos ônibus, para retornamos ao Panamá e dar início a jornada. Dessa vez, pelo fluxo das estradas e a demora da imigração, passamos mais de 24 horas a bordo, para depois, enfim chegarmos na Universidade aonde ficaríamos alojados.

No dia 22 começou a programação oficial da Jornada com a missa de abertura. Nos dias seguintes tínhamos catequese pela manhã, cada dia com um bispo diferente. Após a catequese era aberto um tempo para que os jovens pudessem perguntar e tirar dúvidas, e fechávamos a manhã com uma missa. Destrincharam o lema da Jornada: “Eis-me aqui”, “a serva do Senhor”, “faça-se em mim segundo a Tua Palavra”, e utilizaram essas frases como temas para cada dia de catequese.

Durante todos os dias, também tínhamos a possibilidade de visitar o parque da Juventude, onde aconteciam shows, a Feira Vocacional, além do parque do Perdão, onde os jovens eram chamados a realizar o sacramento da reconciliação. Entrar na feira vocacional, me faz pensar muito na diversidade de dons, carismas e chamados, é ver o quanto nossa igreja é rica, criativa e missionária.

Os momentos com o Papa são de uma emoção sem igual. A acolhida, a Via Cruz, a Vigília e a missa de envio, em todos eles, o Papa nos trouxe mensagens lindas e profundas, que nos faz repensar na nossa realidade e nas nossas atitudes.

Mas o que eu acho mais legal da jornada, é a possibilidade de perceber que em meio a tantas diferenças, existe algo em comum que nos une. Em uma de suas falas, o papa Francisco lembrou que apesar de todas as coisas que podem nos diferenciar, nada nos impede de nos encontrar e celebrar juntos, porque o verdadeiro amor não anula as diferenças, mas as harmoniza de uma forma grandiosa. E era uma harmonia tão linda de se ver e sentir, as tantas cores das bandeiras, os tantos idiomas escutados, mas que rezavam uma só fé.

Em uma das catequeses, o bispo nos comparou aos celulares, que pode ser o mais moderno possível, mas que sem carga não funciona. E assim, somos nós jovens, que precisamos muitas vezes dessa energia para funcionar. E a jornada possibilita esse aumento de carga. Ela nos inspira, nos incomoda, nos anima a sermos jovens cristãos. Foi pontuado na missa de abertura, que jovens não funcionam com frases e slogans feitos, eles precisam vivenciar, experimentar, conhecer testemunhos verdadeiros. E são em momentos como esse, que a gente tem a oportunidade de ver o protagonismo do jovem na igreja, de se sentir mais que parte, de ter a certeza que igreja não é coisa do passado, porque nós somos o rosto da igreja. Que não é preciso renunciar a alegria, ou a própria juventude para seguir a Cristo, que ser santo não é um mito, mas uma realidade, independente da cultura, idade ou sexo.

Durante os momentos fomos incomodados a pensar no outro, fomos chamados a nos sensibilizar com a situação de jovens indígenas, negros, imigrantes, mulheres, pensarmos em todos aqueles marginalizados, que sofrem por conta da desigualdade, da corrupção, da mentira. Mas não só pensar, somos chamados a abraçar e a cuidar da vida, mesmo com todos seus defeitos e fragilidades, tendo cuidado com a realidade integral do outro. Sair de si mesmo, tirar os olhos do próprio umbigo. Ser fecundo e fecundante.

O papa nos pediu para que fossemos como Maria, influencer de Deus no mundo. Que passássemos a enxergar o mundo com os olhos de Deus, assim como fizeram os santos. Que estejamos abertos para a palavra de Deus, e que de coração também possamos dizer hoje o nosso “Eis-me aqui”. Porque não somos o futuro, e sim o presente.”

Adriana Landeiro (Drik), alpinista do Movimento Escalada