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Fé e missão


  • Angela Leitão

Há seis meses me descobri com um câncer de mama. Foi um susto, afinal não tinha nenhum caso na família e em tese, não seria de nenhum grupo de risco: tenho uma alimentação saudável, bebo muito pouco e sempre vinho, faço exercícios regularmente e não sou tabagista. E aí, o que houve? Um perverso item que tem impulsionado essa cruel estatística: o estresse. Quem de nós, nessa sociedade louca não está submetido rotineiramente a grandes cargas de estresse e o quanto isso mexe com nosso metabolismo?

Assim nada a reclamar e muito a remediar, portanto após seis meses de tratamento, incluindo cirurgia e quimioterapia, estou aqui rebrotando, num processo de renovação necessário. Se o corpo reclama com as doses de quimioterápicos, deixando marcas exteriores com a perda dos cabelos, sobrancelhas e cílios, estragos na pele e nas unhas, afora enjôos e tonturas e eventuais reclamações do meu estômago, o meu interior cada vez mais se fortalece!

Pode parecer paradoxal, mas decididamente não é! A minha fé foi decisiva na minha atitude de não ceder, de não arriar as malas no meio da viagem. Então lembrei que a minha escolha de lutar tinha uma estória antiga em minha vida: nunca me senti confortável no figurino de “tadinha”!

Outubro é o mês missionário e também o mês da campanha de prevenção ao câncer de mama! Santa Terezinha do Menino Jesus é a padroeira dos missionários e dizia: “Não quero ser santa pela metade, escolho tudo”. E percebi que não sei ser “morna”, não gosto de coisas pela metade. Assim é fato que todos têm sua missão.

Ao chegarmos em Santiago de Compostela em junho de 2016, depois de 34 dias de caminhada, meu marido-amigo-companheirão se assustou comigo quando lhe disse que o Caminho não tinha acabado, que a missão apenas tinha começado. Foi instintivo o que disse, apenas sentia, mas não sabia explicar. Então agora sei que devo ajudar outras pessoas que estão a passar por problemas semelhantes ao meu, por isso escrevo, na esperança de trazer alento e força para os cansados e fé para os desesperançados. Ter câncer não deve ser um fim e sim o começo do renovar!

Como dizia São Paulo aos Filipenses, “Tudo posso naquele que me fortalece! ” E é nesse Deus do impossível e que tem sido imensamente misericordioso comigo, que eu creio radicalmente, com todas as minhas forças.

Cada um tem sua missão, basta abrir o coração e deixar fluir. Às vezes imaginamos coisas grandiosas e não damos atenção a outras pequenas, no nosso dia a dia, que perdemos a oportunidade de agir. Muitas vezes o próximo está tão perto que não percebemos! Que tal descobrir a sua missão?

Angela Mª Garcez Leitão Guerra, ministra da Eucaristia, coordenadora de Círculo de Casais (ECC), colaboradora no ENOI, integrante do Conselho Econômico e coordenadora do Conselho Pastoral.

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