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IR AO ENCONTRO DO OUTRO


  • Márcia Mata

“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me”, Mt 25,35

Eu vim de uma longa experiência na Pastoral Familiar e decidi dar um tempo nas atividades da Igreja. Comecei a frequentar a Paróquia Ascenção apenas para acompanhar minha filha que é do Movimento Escalada e de repente já estava no Projeto Pais e Filhos. Eu não queria muito compromisso; mas sentia que Deus falava comigo e me chamava para algo especial.

Um dia vi uma reportagem em que o padre Manoel falava sobre os migrantes; não sei se foi Coincidência ou Providência; mas eu tinha acabado de sair de uma palestra com D Marco sobre o Ano do Laicato. Durante a fala do Bispo eu perguntava a Deus, onde ele me queria, qual seria a próxima missão; então veio forte em meu coração o trabalho com os venezuelanos. Falei com o Padre Manoel por WhatsApp do meu desejo de ajudar e ele me escreveu assim “Nossa...só pensava nisso quando gravava. Que pessoas se unissem a nós.” Passei-lhe o meu “currículo cristão” e ele disse que já sabia do meu compromisso com as coisas da Igreja e me convidou para participar de uma reunião que ele teria com Cristina; uma venezuelana.

Fui e fiquei prestando atenção no desenrolar das coisas; só queria entender os propósitos da igreja naquela situação. O Padre Manoel disse que seria: Acolher, Proteger, Promover e Integrar; prioridade total do Papa Francisco. Então eu fui estudar os documentos da igreja para entender melhor como funcionava uma Pastoral do Migrante; visto que em nossa Arquidiocese não tínhamos nenhum trabalho assim. Logo, eu estava estruturando a Pastoral na paróquia; embora sem pretensões de assumir coordenação; especialmente porque eu era recém chegada.

Um dia o padre apresentou os venezuelanos para a comunidade e falou que eu era a responsável por eles. Eu fiquei surpresa e “acho” que naquele momento ele já pensou em me colocar na coordenação. Fui então me envolvendo ainda mais com as situações de cada um, eram testemunhos fortes e me fazia sofrer muito; mas em oração eu pedia a Deus para me dar forças porque eu queria ajudar a todos... e Sua ação foi se transformando em milagres. De fato, não sei quando foi o convite para coordenar.

Apesar de o foco ser outro, diferente da Pastoral Familiar, toda ação pastoral nos leva a viver coerentemente a palavra de Deus, fazer a Sua Vontade, reconhecer e contemplar no irmão que sofre, a face de Seu Filho Jesus; para mim, portanto, não é uma experiência de Fé, é uma experiência de Encontro com a Pessoa de Jesus e seu Evangelho.

Márcia Mata, coordenadora da Pastoral do Migrante

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