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Educar os filhos na fé desde criança


  • Ticiane Miranda

Iniciei minha vida cristã oficialmente aos 30 anos, quando me batizei. Fiz o Movimento Escalada em 2002. Na época, não me identifiquei. Fiquei afastada por oito anos. Em 2010 retornei através do aprofundamento. A semente havia sido lançada, porém a necessidade surgiu oito anos depois. O Movimento Escalada me recebeu de braços abertos e, desta vez, me envolvi intensamente. Três anos depois, engravidei. Vi minha intensidade da jornada cristã ser interrompida. Ouvi e ouço de muitas mães de filhos adultos: “Gostaria de ter levado mais o meu filho à igreja”; “Quando meus filhos eram pequenos, meu marido não me levava” ou “Hoje, me arrependo de não os ter levado na igreja quando eram crianças”. Pensei: Meus filhos nunca ouvirão isto de mim! Eles podem até não seguir o caminho cristão, mas a minha parte, eu farei!

E então, começou um novo tempo de evangelizar. Tinha que evangelizar a família. Foi muito difícil perceber que estaria sozinha nesta missão. “Se fosse fácil, não teria nem porquê”. Esta é a frase que imagino todas as vezes que os meus pensamentos tentam me dominar para eu desistir. Fiz a apresentação de Henrique na igreja aos quatro meses. Desde então, eu o levo todos os domingos ou sábados à noite (depende da programação do final de semana). Passei por muitos momentos difíceis. Tive vergonha. Meu filho já deu escândalo na igreja. Crianças com menos de 24 meses, às vezes, fazem birra. Lembro um dia de chuva, a igreja sem microfone, Henrique começou a chorar e eu fui para o lado de fora. Uma senhora me seguiu e pediu que eu ficasse mais distante, pois onde estava com meu filho, estava atrapalhando. Fiquei profundamente triste neste dia. Fiquei triste por estar sozinha. Fiquei triste, pois não queria atrapalhar. Uma voz me falava: “Vá embora!”. Mas, na paróquia que escolhi frequentar, tinha um pastor que se adequa a tudo o que eu precisava. O Padre Manoel sempre foi acolhedor e sempre esteve de braços abertos. Quando Henrique se acalmou, retornei e fiquei até o final desta missa. Já passei por situações de ter que conter a minha criança do lado de fora de forma mais firme, inclusive sendo dura com o mesmo.

Henrique foi crescendo, se acalmando e se sentindo cada vez mais em casa. O Pai Nosso e Ave Maria aprendeu de tanto fazer na missa. A oração que ensinei foi o Santo Anjo. As orações são feitas a noite e de mãos dadas. De repente, minha segunda gravidez! Não estava esperando. E agora? Como seria? Duas crianças! Pensei: vou levar em domingos alternados, uma por vez. Foi assim que fiz no início. Mas, vem o sopro de Deus e nos fala: “Assim está errado, você pode e conseguirá levar sempre os dois juntos” . Comecei a levar os dois juntos. O pior era quando tinha que trocar fralda ou levar o mais velho no banheiro. Tem que ir sempre com os dois. Às vezes o mais velho aceita ficar com um conhecido da mamãe. Deus nos abre portas e envia anjos da guarda sempre dispostos a nos ajudar. Henrique foi amadurecendo. Primeiro começou a levar a oferta no ofertório, depois a benção na fila da Eucaristia. Hoje, tem quatro rituais indispensáveis: levar a oferta; segurar a cesta; a benção na fila e o Pai Nosso. Fez cinco anos em janeiro deste ano. Ceci, a partir de um ano e seis meses já se sentiu capaz de levar a oferta sozinha no ofertório. É assim que começa. Aos poucos e de forma progressiva. Difícil? Muito! Mas, quem disse que seria fácil?

Decidi que todas as vezes que fosse à missa, iria tirar a foto na cruz para acompanhar o crescimento dos dois ao longo dos anos com postagens no Instagram. Estas fotos começaram a chamar atenção dos papais. Já ouvi de algumas famílias que se sentem incomodadas. Como eu consigo levar duas crianças sozinha para a igreja toda semana? Qual a desculpa que as famílias têm para não tornar este hábito tão fundamental como levar à escola todos os dias? Percebi que virei referência cristã para várias famílias. Já consegui levar coleguinhas de meu filho e, atualmente, uma família, também, com dois filhos frequentam a missa comigo com certa regularidade. Participou, inclusive, da missa de Natal. Estou começando a colher os frutos desta jornada, conseguindo passar o meu recado e fazer o Cristo Ecoar. Henrique, aos cinco anos, tem muita convicção de quem é o Papai do Céu. Muitas vezes, no limite do cansaço, doida para dormir, ouço a voz dele me falando: “Mamãe, a gente ainda não fez a oração”. Nesta oração, ele já pede pela família, agradece pela vida, escolhe alguns amigos, pede benção para projetos futuro (no mundo dele: férias, por exemplo). A minha Ceci? Claro! Com dois anos e pouco vocabulário, balbucia à noite: “Mamãe, amém! Pepeu, Amém! Celça, Amém!” O que é, ela ainda não sabe, mas aos poucos vai entendendo. Que Deus nos abençoe para seguir em frente na jornada mais importante de nossas vidas: a evangelização.

Ticiane Miranda, mãe de Henrique (5) e Cecília (2), alpinista do Movimento Escalada e integrante do grupo de liturgia

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