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Desafios e dilemas do profissional Cristão


  • Cláudia Temporal

Como um bom cristão deve agir?

Considero o respeito um dos valores que não pode faltar em qualquer indivíduo por ser essencial a uma convivência salutar e a harmonia das relações interpessoais, como uma chave necessária para abrir muitas portas, e cuja falta é capaz de trancar outras de forma indesejada e até mesmo definitiva.

É no seio da família que aprendemos e também ensinamos o exercício diário do respeito, não só com palavras, mas com gestos e atitudes, de tratar o próximo como gostaríamos de ser tratados e de aceitar as diferenças. Mas é no ambiente de trabalho, onde normalmente passamos um terço de nosso dia, que o respeito é quase uma questão de sobrevivência, em razão da diversidade cultural, de crenças e religiões, de hábitos, gostos, opiniões e paixões.

No que se refere à religião, sem qualquer intuito de impor ou de afrontar alguém, sempre faço questão de demonstrar a minha fé católica no local onde trabalho, com pequenas atitudes por ocasião da Páscoa e do Natal, organizando ceias precedidas de orações e de leitura bíblica. Também tenho o costume de exibir ao meu redor as imagens de Mãe Rainha, Nossa Senhora Aparecida e de Fátima, São longuinho, além de crucifixos, terços e as tradicionais fitinhas do Senhor do Bonfim.

Se algum dia proibirem a permanência de símbolos religiosos nas repartições públicas, como já se pretendeu e ainda se almeja, não deixarei de montar o meu presépio no Advento, nem esconderei nas gavetas aquelas imagens, porque elas sempre poderão me acompanhar, tal e qual as fotografias da minha família, que me sorriem dos porta-retratos e me fazem lembrar quem sou nos momentos em que mais preciso.

Porém, agir dessa forma e ser uma pessoa respeitosa não faz com que eu me sinta uma boa cristã; preciso ter um comportamento condizente com a minha fé, uma conduta coerente com aquilo que penso e acredito. Aí me recordo da missão que Jesus nos confiou, quando disse “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura...” (Marcos 16, 15), e me deparo com o dilema de não praticá-la, não somente em respeito aos ateus e agnósticos, evangélicos, espíritas e candomblecistas com os quais convivo, mas por exercer uma função de chefia que me obriga a pensar nas atuais dimensões que podem ser dadas à figura do assédio moral religioso no ambiente de trabalho.

Então concluo que precisamos ser o sal da terra e a luz do mundo de que fala o evangelho de Mateus (Mateus 5, 13-16), salgar na medida certa e iluminar a quem for preciso sem jamais nos esconder! Assim, embora devamos respeitar as diferenças, podemos também fazer a diferença, optando pela ética e nunca pela desonestidade, escolhendo perdoar antes de sentir raiva, sendo acolhedores, leais e solidários, sabendo ouvir aquele que enfrenta algum problema ou dificuldade, sem expor publicamente as suas falhas, não sendo indiferentes às necessidades do nosso colega, do nosso subalterno ou do nosso chefe, sendo tolerantes, promovendo a reconciliação sem jamais semear a discórdia.

Acredito que assim estaremos revelando Cristo no nosso local de trabalho, pregando o evangelho através de nossas ações, pois como afirmou o nosso querido Papa Francisco em uma de suas homilias (06/02/2017), “Cada um de nós é chamado a ser luz e sal no próprio ambiente de vida cotidiana, perseverando na tarefa de regenerar a realidade humana no espírito do Evangelho e na perspectiva do Reino de Deus”.

Claudia Temporal, ministra da Eucaristia, membro da Pastoral da Catequese/IVC, na Equipe de Batismo, da Pastoral do Dízimo, da Pastoral da Liturgia, da Pastoral da Família, do Movimento Escalada, do Conselho econômico e da Associação Ascensão do Senhor

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