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A Paz na Doutrina Social da Igreja


  • Leonardo Mendonça

Com o advento da Revolução Industrial, houve uma grande transformação social que suscitou novos e intrigantes desafios no seio de nossa sociedade. Diante desse quadro, o Magistério da Igreja Católica se pronunciou diversas vezes, à luz do Evangelho, a fim de orientar os fieis e os homens de boa vontade sobre o rumo mais adequado a se tomar em cada situação específica. Ao conjunto de declarações feitas pelo Magistério a respeito das questões sociais, dar-se o nome de Doutrina Social da Igreja.

Dentre os diversos temas que esta Doutrina engloba, a questão da paz tem um relevo muito grande, uma vez que um dos principais objetivos da vida em sociedade é encontrar um equilíbrio capaz de fazer com que o convívio seja pacífico, onde os conflitos de diversas naturezas não impeçam o corpo social de buscar o bem comum. De certo, numa sociedade onde a insegurança reina, não se pode encontrar a paz; por conseguinte, se não há paz, não podemos nos apossar daquela vida que vale a pena ser vivida, aquela vida que cada ser humano almeja no mais íntimo de seu coração.

Contudo, conforme a Doutrina Social da Igreja ensina, antes da paz ser uma atividade humana, algo que o homem tem que promover com suas próprias mãos, ela é um atributo divino. Em outras palavras, isso quer dizer que o homem não pode encontrar a paz mediante exercício disso ou daquilo; de certo, sendo a paz algo pertinente a própria vida divina, o ser humano só pode assegurar-se de sua paz a partir do momento que participa da Vida mais excelsa. Em suma, o homem não encontra a paz se não está em comunhão com Deus.

Este fato possui extrema importância para a Doutrina Social, uma vez que ele fundamenta, por assim dizer, a postura que devemos ter no nosso dia a dia. Quando entendemos que a paz é uma dimensão da vida divina, facilmente podemos entender que a paz é muito mais que ausência de guerra e de conflito nos diversos níveis do convívio social. Deste modo, ao nos darmos conta da primazia da paz como atributo da vida divina frente a qualquer atividade humana, notamos que a promoção da paz não se reduz a mesa de negociações ou coisa do tipo, esta promoção é muito mais profunda, pois a paz para ser verdadeira paz e não mera calmaria, deve ser caracterizada pelo encontro harmonioso de Deus com os homens; e esse encontro começa, antes de tudo, no coração de cada um.

Neste sentido, a promoção da paz não é um dever que cabe apenas as grandes autoridades sociais. De fato, por ela começar no coração de cada pessoa, ela não nasce de um decreto de alguma instância política. Assim, conforme a Doutrina Social, a paz é um dever pessoal, é uma responsabilidade que cada ser humano possui e da qual não pode abrir mão de forma alguma.

Dito isso, vale dizer que entre as muitas abordagens que podemos encontrar na Doutrina Social da Igreja a respeito do tema da paz, nada é mais importante que o enfoque que se dá a essa responsabilidade pessoal, ao cultivo da paz que devemos fazer em nossos corações. De certo, a paz é dom de Deus, pois Ele se antecipa e vem ao nosso encontro, nos convidando para participar de sua Vida. Mas do ponto de vista bíblico, não existe Dom sem Tarefa! Portanto, façamos também a nossa parte. Primeiramente, deixemo-nos reconciliar com Deus, deixemos que Ele nos dê a sua Paz. Abramos o nosso coração para a presença de Deus e oremos para que cada pessoa também possa fazer as pazes com o Senhor, pois, como ponto de partida, disso depende a paz social.

Leonardo Mendonça, teólogo, filósofo e ministra cursos teológicos na Ascensão do Senhor.

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