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Escolhe, pois, a vida


  • Consuelo Rocha

Qual o valor da vida humana? Parece que, nesses dias em que estamos vivendo, sua cotação anda em baixa, podemos dizer até mesmo que tem sido menos avaliada que a vida de um animal. Não que uma forma de vida deva ser mais respeitada que outra, mas se acreditamos que somos a imagem e semelhança de Deus, alguma coisa está errada quando conseguimos nos indignar com maior veemência ao sacrifício de um animal, mas não conseguimos nos indignar com a morte de um semelhante. Quando colocamos os nossos animais de estimação no mesmo patamar de nossos filhos, algo sinaliza que estamos vivendo numa sociedade estranha.

“A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano”, escrevia John Done poeta inglês do século 17, quatro séculos depois “bandido bom é bandido morto” éa frase do momento. Onde foi que nos perdemos neste intervalo de tempo? Será que perdemos a capacidade de sentir ou já não acreditamos mais que somos imagem e semelhança de Deus?

Apesar de toda a ciência e de todo o conhecimento que nos revela a grandeza e a beleza de Tuas obras não conseguimos ver além do superficial, vemos um feto mas não uma vida, uma criança mas não um ser em desenvolvimento, enxergamos nos mais velhos apenas decrepitude e morte, com estes critérios menores medimos a importância de cada um, e assim medidos e pesadosdescartamos a vida em todas as suas etapas.

Em Deuteronômio, livro do antigo testamento, Deus pede que façamos uma escolha, a vida ou a morte, a benção ou a maldição e nos exorta:Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes (Dt30,16) ora pelo visto estamos fazendo as escolhas erradas e obtendo como resultado a morte, física, psíquica e espiritual da sociedade revelada no crescimento da depressão e do suicídio.

“Escolher a vida” exige decisão e compromisso, duas palavras que perderam a força em nossa sociedade líquida. Desde a gravidez que acontece mais como um acidente de percurso do que como desejo de continuidade de uma nova família, pela falta de valores que deixaram de guiar a educação das nossas crianças e jovens, e que, independente da classe social, crescem sem nenhuma orientação, seja pela solidão e o desamor que tem levado a morte silenciosa de nossos pais, a falta de compromisso com a vida tem causado a banalização da mesma.

Escolher a vida e não a morte é cuidar de toda espécie em nosso planeta,amar e aceitar aquele irmão que nos parece dissemelhante, diferente, fora do padrão, cuidar e valorizar daqueles que nos cercam, receber a vida em nosso seio como um presente e apreciar no outro sua estória escrita ao longo do tempo para que, ao fim, quando a hora tiver chegado, poder entregar ao Pai, sem remorsos, aqueles que amamos, escolher a vida é pois o caminho para plenitude prometida pelo Senhor da Paz.

Consuelo Rocha, coordenadora da Pastoral Familiar Arquidiocesana

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