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RESPOSTA VOCACIONAL E FELICIDADE PESSOAL


  • Felipe Thales Souza de Oliveira

Não poderia falar de qualquer coisa sobre este tema sem trazer, para o meio da conversa, um trecho do livro do profeta Jeremias: “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações” (Jr 1, 5).

Por mais difícil que seja para o nosso intelecto; compreender tal coisa se faz necessária para todos cristãos, entender que Deus nos chama antes mesmo de sermos concebidos, logo todos temos uma missão, dada pelo próprio Deus, por onde haverá de passar a nossa própria felicidade.

Foi no dia 22 de abril de 2018 que ouvi, do então bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, Dom Gilson Andrade, a frase que me marcaria para sempre: “Vocação acertada, felicidade encontrada”. A partir dessa simples afirmação pude compreender que fugir daquilo ao qual Deus me convidava a viver, não era a melhor opção. Muito me identifiquei com o chamado de Levi (permita-me aqui lembrar outra passagem dos textos sagrados): estava ele lá cobrando os impostos, como mandava o seu ofício, de repente um homem se aproxima e o convida: Vem, segue-me!

Fico a pensar, se Levi (também conhecido como Mateus, o evangelista) não tivesse deixado tudo o que tinha para seguir à Jesus que o chama, mas que continua o seu caminho, talvez nunca mais ele teria a oportunidade de se encontrar com o Senhor, de caminhar com ele, de dar a sua vida pela causa do Evangelho. Essa foi a experiência que pude fazer, meus Irmão! Tinha uma vida estável, com sonhos e projetos, cursava o nono semestre de Engenharia Civil, mas a proposta feita pelo Senhor desconstruiu-me por inteiro, para mim, nada mais teria sentido se não estivesse dentro do plano que Deus fez para a minha vida, antes mesmos de ser gerado no ventre da minha mãe. Não era uma imposição, mas na liberdade que o próprio Senhor me dava decidi seguir-lhe, dando-lhe a minha vida: “minha vida ninguém toma, eu a dou livremente” (Jo 10,18). Tomada a decisão (de ingressar no seminário), vivi desde aquele dia, uma felicidade que não tenho como descrever. De fato, se confirmava a frase que, ouvi de Dom Gilson.

Muitos, não entendem e, ao ouvir falar sobre este chamado (sobre a vocação), pensam ser algo distante de si, reservada àqueles que são chamados à vocação sacerdotal. Lembremo-nos, pois, como nos ensina a Santa Mãe Igreja, das vocações religiosas, leigas e ao matrimônio. Sim! Também o matrimônio é um chamado de Deus e deve ser assumido com responsabilidade: é missão dada por Deus!

Para finalizar, deixo uma mensagem de incentivo àqueles que, de alguma forma já sentiram dentro de si um desejo de servir à Igreja de forma mais intensa, de forma integral. Para aqueles que já pensaram, como eu um dia, em ser padre, mas que, também como eu lutei, lutam pensando ser impossível ser feliz nesse serviço tão belo. Quer um conselho? Não gaste suas energias lutando, é uma luta vã, uma luta desigual: Deus sempre vence!

Coragem! Sigamos em frente com os olhos fixos no Senhor! Que a virgem Maria Mãe do Bom Conselho nos conduza sempre mais a seu filho! Deus abençoe!

Felipe Thales Souza de Oliveira
Ex-paroquiano da Ascensão do Senhor, hoje seminarista do Seminário Maior Nossa Senhora do Bom Conselho (Diocese de Amargosa)

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