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GESTÃO E ESPIRITUALIDADE


  • Luciana Amado

A primeira vista, gestão e espiritualidade podem parecer conceitos distantes e discordantes. Afinal, o que pode ser mais objetivo, frio e competitivo do que um ambiente empresarial?

Bom...se você ainda pensa assim, acorde para uma realidade bem diferente!

O universo organizacional está passando por mudanças aceleradas. E nesse novo mundo não cabe mais a figura do “chefe tradicional”, onde a imposição do poder hierárquico, o tecnicismo e a pressão por uma produtividade cega provoca um abismo entre líderes e liderados. Ao contrário disso, estamos vendo o crescimento e fortalecimento da figura do líder como um agente de desenvolvimento de seu time, através de uma relação ética, agregadora, mentora, promovedora da mudança de hábitos e atitudes. E o impacto positivo disso sobre o clima organizacional e, consequentemente, sobre o aumento da produtividade, já é uma constatação científica, alardeada por inúmeros autores.

E é nesse ponto que podemos enxergar a espiritualidade como um diferencial facilitador nessa jornada. Considerando que a espiritualidade esteja relacionada às qualidades do espírito humano, como compaixão, senso de justiça, solidariedade, paciência, perdão, responsabilidade, atitude apaziguadora, tanto para si, como para o próximo, um gestor que cultive sua espiritualidade e a utilize em seu ambiente de trabalho, traz para esse ambiente atitudes que tendem a melhorar a relação interpessoal, o comprometimento, o senso de pertencimento e propósito de sua equipe. É um investimento na qualidade de vida, em um ambiente harmônico que melhora o trabalho e que demonstra que a perspectiva do lucro pode conviver em harmonia com as relações e com a ética.

Se levarmos em conta o conceito de gestão como a habilidade de liderar pessoas e coordenar processos, a fim de realizar a missão de qualquer organização, o líder que traduz em suas ações uma proposta de vida onde a espiritualidade tem papel importante, consegue transformar o seu entorno e alcançar os objetivos organizacionais com maior facilidade. E não se trata de uma visão puramente empírica e piegas. Já temos inúmeros estudos que apontam nessa direção, como o modelo de liderança servidora, praticado em grandes empresas. Os líderes servidores entendem as pessoas como um todo - corpo, coração, mente e espírito - e trabalham para liberar seu potencial criativo.

A espiritualidade incorporada no modelo de gestão, se traduz na qualidade das relações não apenas com os colaboradores, mas com os clientes, fornecedores e meio ambiente. Uma fé saudável promove resultados saudáveis em todos os aspectos de nossas vidas, e não seria diferente dentro do ambiente corporativo. Características como entendimento do trabalho com propósito, conexões e relações saudáveis, sinergia, orgulho do que faz, interesse em contribuir com elementos de fora da empresa e contentamento, que é o nível de satisfação da alma, são parte do novo vocabulário da liderança.

Afonso Murad, pós doutor em teologia, professor universitário, pesquisador e autor, relaciona gestão e espiritualidade com andar de bicicleta. Quanto mais cedo se aprende, mais fácil se torna. Mesmo assim, trata-se de uma busca de um equilíbrio constante, que só se alcança quando em movimento. Segundo Murad, “cultivar a espiritualidade é alimentar esta sintonia com o Deus da Vida, que nos ama e nos convoca para promover o Bem e espalhar sua Boa-Nova”. Se a gestão é uma das rodas, a espiritualidade é a outra. Por não ser iguais, pedalar não é tarefa fácil. Ambas têm, historicamente, conceitos, linguagens, práticas e saberes muitas vezes diferentes, gerando conflitos. É preciso aprender a somá-las, tornando-as complementares.

Ainda citando Murad, “a espiritualidade nos guia para opções iluminadas, inspiradas no Evangelho. Nunca é tarde para aprender! Será um exigente e prazeroso equilíbrio em movimento, como andar de bicicleta. Pedalar é preciso”.

Luciana Amado de Menezes Medrado
Graduada em Administração
Especialista em Docência
Professora Universitária
Membro da Pastoral de Eventos e da Pastoral do Dízimo
Coordenadora do Brechó do Bem

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